«o que me excita a escrever é o desejo de me esclarecer na posse disto que conto, o desejo de perseguir o alarme que me violentou e ver-me através dele e vê-lo de novo em mim, revelá-lo na própria posse, que é recuperá-lo pela evidência da arte. Escrevo para ser, escrevo para segurar nas minhas mãos inábeis o que fulgurou e morreu.»

Vergílio Ferreira, Aparição

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terça-feira, 25 de dezembro de 2007

A celebração do Natal segundo S. Lucas (Lc 2, 10-19)

Mas o anjo disse aos pastores: «Não tenhais medo! Eu anuncio-vos a Boa Notícia, que será uma grande alegria para todo o povo: hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias, o Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um recém-nascido, envolto envolto em faixas e deitado numa manjedoura». De repente, juntou-se ao anjo uma grande multidão de anjos. Cantavam louvores a Deus, dizendo: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados».
Quando os anjos se afastaram, voltando para o céu, os pastores combinaram entre si: «Vamos a Belém ver esse acontecimento que o Senhor nos revelou». Foram, então, à pressa, e encontraram Maria e José e o Recém-nascido deitado na manjedoura. Tendo-O visto, contaram o que o anjo lhes anunciara sobre o Menino. E todos os que ouviam os pastores ficavam maravilhados com aquilo que contavam. Maria, porém, conservava todos estes factos e meditações sobre eles no seu coração.
Palavra da Salvação!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Inquietude

Inquietação no zumbir estremecido
De um sol que se põe para lá do olhar,
Por trás de nuvens escondido (e perdido),
Movendo-se em apeneias que, no breu, se ignoram, ao tocar [o mar.

Queira Deus que a paz da morte incontestada
De mais um dia, um ,
Se espalhe, pela trombeta pelo tempo tocada,
Às guerras de que, na alegria in controlada, ninguém tem dó.

(Luz da Lua, onde tocas?
Que desgraças iluminas,
Que pensamentos convocas?
Será ao toque da manhã que mais fascinas?)

Desintegro o espaço ao meu redor,
De mim, feito plenitude
De medos, de temor,
Aqui, in quietude.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Hoje

De onde vêm as sobras de mim? De onde me chega o canto de augúrio do amanhecer à luz fria de Inverno? O beijo de uma guitarra que me chega lá de longe, de tempos imemoriais, condensados nesta informação digitalizada, formato mp3, atira-me contra a verdade do encontrar-me aqui, agora!. Hoje. O sufoco que me chega pelos dedos quando viro a página (não a página) atrai-me como atrai o osso rançoso o cão vadio. E quero cada página, para a negar. Nego o que leio por obrigações por mim impostas, saindo para a mentira do estar morto enquanto maquinalmente vivo. O desgosto de uma hora passada nisto: no empreendimento. Estudo, no caso. E a certeza de que me construo nesta leitura, de que me cultivo e construo o meu futuro, e que não me acalma. Porque me adoça a vida a amargura dos dias errantes em certas certezas que me dão como certas na certamente conveniente assunção da vida em comunidade. Comummente assimilada a agridoce desventura do amar a banalidade no ser mais (ainda mais). Hoje. Sempre tive em mim o encanto do saber tudo ignorar, designorando-te, verdade suprema que é ser nada, porque sempre construí(n)do sobre esta areia movediça que deixa escapar olhos, mãos, boca, cabelos desalinhados e pés alinhados para a derradeira marcha, no ir sendo (sem saber do ser) mais, MAIS, para, até ao descontentamento do ainda não chegar, me recomeçar de onde me deixei (útero materno de memórias vãs, ainda na eternidade dos ontens). Hoje.
Sentir-me
Óptimo

e, ainda assim, ter medo do escuro nos entretantos

domingo, 9 de dezembro de 2007

Sandra Marques - Parabéns!

Seguras na pena da vida e escreves,
Antes que a tinta se esvaia.
Num sorriso celebras a existência
Do hoje,
Recomeçado aos 20;
Anos que são em ti. Que são teus.

Teu é também o grande
beijinho que te deixo.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

"At Last the Secret is Out", de Carla Bruni, vídeo de Francesco Meneghini

video

Pudera eu seguir o roteiro de "carrascos" deste Mundo...

Gostaria de partir por esse Mundo fora à descoberta de novos quotidianos, talvez assassinos, mas diferentes. Se a diferença é uma riqueza e a morte dos dias uma constante, então que seja assassinado com novidade. Que cada carrasco seja novo e que saiba eu olhá-lo nos olhos e reconhecer a dignidade do seu papel.
No fundo, as nossas vidas são como folhas que vão sendo escritas. Escrevemos a nossa história, mas nunca ditamos a pontuação. Surgem pontos finais onde não os queríamos, vírgulas que não nos indicam como prosseguir a frase e, por vezes, as contruções frásicas tornam-se tão incompreensíveis que as julgamos absurdas. São linhas e palavras nossas, porém. Impossível esquivarmo-nos aos carrascos.
Ditou o fim deste parágrafo do meu dia o carrasco tempo, sob a forma de ponteiros do relógio. Até mais ver, até mais ler, até mais escrever!

Nevoeiro em Lisboa

O vento frio acaricia-me o pescoço mal escondido, enquanto olho o rio e as gaivotas. A cara, essa nunca a consigo esconder e dissolve-se no ar envolvente, húmido, como os olhos. A água está escura, mas não tão negra como os espíritos que esvoaçam sem rumo, ora porque nada se lhes afigura como objectivo, ora porque os seus objectivos se lhes revelam pretensões repetidamente irrealizadas. A ponte continua o seu rugido constante, mas não se atreve a dar a cara, escondida pelo nevoeiro. O "Voyeger of the Seas" traz mais gente à cidade. Mas esses ir-se-ão, com o navio, partindo para longe destes assassínios quotidianos, ao encontro de outros.

Apaziguamentos da "plebe" docente

A arena estava pronta: canetas, códigos e folhas de ponto. O burburinho dos corredores subterrâneos cessou por ordem vinda da tribuna imperial. O gládio durou o tempo de um já!/!?. Perfeita hecatombe. Chacina intelectual no escarnecer/estremecer da verificação da inferioridade dos seres que se sentam fora do estrado. Foi ontem, será amanhã e será na semana que vem. Viva o respeito! Vivam as oportunidades de avaliação justas! Viva tudo isso, mas o que eu vivo é a realidade de métodos de avaliação que não são construídos para os avaliandos. Leva-me a pensar que os objectivos não são avaliar quem estuda, pelo menos não sempre, mas manter a segregagação de classes. Sende plebe, ou escravos de uma condição irresoluta, vós, que de cives nada tendes.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Chilrear desalmado

Na melodia do rouxinol flui o som da manhã enrouquecida por murmúrios vacilantes, por suspiros de amantes, por desesperos confessados a almofadas feitas esponjas.
Hoje em dia já ninguém ouve a melodia do rouxinol...