«o que me excita a escrever é o desejo de me esclarecer na posse disto que conto, o desejo de perseguir o alarme que me violentou e ver-me através dele e vê-lo de novo em mim, revelá-lo na própria posse, que é recuperá-lo pela evidência da arte. Escrevo para ser, escrevo para segurar nas minhas mãos inábeis o que fulgurou e morreu.»

Vergílio Ferreira, Aparição

.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Marta Hipólito - Parabéns!

Sentimo-nos como estrelas, minha Marta. Hoje, se não te sentes estrela, brilhas. Ainda e sempre.
Pus-te na minha constelação de amigos, um dia. Tomaste o teu lugar num espaço uniformemente indefinido e inconstante, a cujas mutações assisto. Não tens órbita; não giras senão sobre ti própria. Mantenho aquele ponto fixo que tanto reluz, qual estrela-guia. É a Mão do ontem. À sua volta surgem novas Mãos. São-me dadas pelo tempo, são Mãos-dadas ao tempo de hoje. E são fascinantes. Não mudam. Acrescentam-se umas às outras. Formam complexos fascinantes, a cada nova aparição. Formam uma sub-constelação que a cada nova adição mais tem para oferecer. Não se torna mais bonita ou menos bonita: torna-se mais rica e, por isso, melhor. Dia 4 somou-se-lhe um dia, que completou 20 anos de existência. Hoje, quando me disseres «Olá!» tudo estará diferente. Mas continuará um «Olá!» cheio de amizade, que me dará uma imensa alegria.
Sorrir-me-ás. Esse sorriso, como todos os que me deste, não integrará a constelação. Será meu. Não guardo os teus sorrisos como memórias do ser, do sermos. Tenho-os, presentes em mim, de cada vez que sou. Agradeço-te por cada sorriso. De cada vez que chorares, lembra-te, será talvez porque deste demasiados sorrisos e os precisas de renovar. O «Obrigado por tudo!» estará pronto para quando voltares a iluminar o teu rosto com essa essência do ser-dando.
(«Todos se riem, banalmente. Sorrir é algo bem mais íntimo, mais genuíno.»).
Quando me abrires a porta, hoje, há só uma coisa que espero: o teu sorriso. Não há nada que o substitua. No momento em que sorris dás-te, como em nenhum outro. Porque aí transcendes-te e fazes com que o Mundo possa ver A Mão.

1 comentário:

Parapeito disse...

Gostei muito deste "mimo"
Já dizia Eugénio de Andrade
"Creio que foi o sorriso, o sorriso foi quem abriu a porta"
Brisas doces*