«o que me excita a escrever é o desejo de me esclarecer na posse disto que conto, o desejo de perseguir o alarme que me violentou e ver-me através dele e vê-lo de novo em mim, revelá-lo na própria posse, que é recuperá-lo pela evidência da arte. Escrevo para ser, escrevo para segurar nas minhas mãos inábeis o que fulgurou e morreu.»

Vergílio Ferreira, Aparição

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quinta-feira, 22 de abril de 2010

E, bem assim, ...

Pergunto-me se estou bem assim. Assim, assim. Procuro-te enquanto te espero, assim. Espero procurar-te e procuro esperar-te. E enquanto assim espero, enquanto nada és, és tudo. Porque de tudo és ainda nada. E de quanto preciso, isso o tens. De quanto o tens, disso preciso. Do que és, isso o busco e do que buscas, isso o sou. E é por isso que, assim, a distância do tempo de hoje para o tempo de ti é tudo quanto virás a ser quando a distância do tempo de ti para o tempo de hoje nada for.

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